segunda-feira, 16 de maio de 2011

O boom da música cristã contemporânea no Brasil (a.k.a. música gospel) II - Entrevista

E eis o segundo post, sequência daquele que deu origem a série :)

Bom, a fim de enriquecer todo esse assunto de música cristã, e seu crescimento junto com as instituições eclesiásticas em nosso país, decidi entrevistar algumas pessoas, sejam envolvidas com gravadoras, sejam presentes no cenário independente.

E o primeiro da lista na verdade são dois. É o Eduardo Mano e o Sidney Silva. Músicos, que já presenciaram muita coisa, tanto no mainstream gospel, quanto na na cena independente cristã. Aliás, o Mano inclusive teve uma participação uns posts atrás neste blog, e tem um trampo muito interessante que foi disponibilizado online.

Inclusive, a entrevista foi feita após eles tocarem no Love 2011, festival que rolou mês passado na capital paulista.

Eduardo Mano (violão) e Sidney (baixo) no Love 2011 por Janssem Cardoso (Fonte: Página do Mano no Facebook)

O que vocês estão achando deste meio 'gospel' que sempre foi tão sectário e hoje em dia abre suas portas para o mercado secular, mas sem sair do seu gueto cristão?

Eduardo: De algumas visões que eu particularmente tenho a respeito disto, uma é como o gospel (no sentido mais popular da palavra, mainstream), tem se inserido no meio secular por métodos tradicionais que as gravadoras têm de colocar seu produto ao público. Então a gente tem o Regis Danese, que até um grupo [Pique Novo] gravou "como Zaqueu" [faz um milagre em mim] em pagode, tem a Aline Barros, tem agora o Diante do Trono que está na Som Livre...
Então tem o lado mercadológico e o interesse das gravadoras seculares porque eles sabem que a população cristã no Brasil tem crescido. Não somos mais apenas os 10% da década de 90. No Rio por exemplo, não duvido que passamos dos 40% da população. E cada estado isto varia, claro.
Por exemplo, estive em manaus agora e vi como o gospel é veiculado e como o estado é evangelizado neste sentido. Então vemos o movimento das gravadoras forçarem a entrada da música gospel, (não uso este termo [gospel] como um bom adjetivo e sim como algo nocivo), e você tem o movimento dos músicos cristãos independentes que estão aprendendo a usar as mídias sociais como uma forma de divulgação por não ter o espaço necessário inclusive nas igrejas. Então usamos a internet como a nossa voz.

Vocês também tem um coletivo de artistas, certo? Conte mais sobre a echo.

Eduardo:
O Coletivo Echo é um esforço cultural meu, mas não cuido sozinho, tem uma pessoa que me ajuda muito, que é o Rafael Porto, da banda Alforria, do Espírito Santo. Eu já tinha idéias de juntar bandas de amigos, que tocam músicas cristãs, bíblicas e que não gostam e até fogem do rótulo 'gospel', então utilizei o coletivo como uma forma de juntar as bandas, de uma banda divulgar outra... Nós somos em cinco, cada um com seu Twitter, com seu Facebook...

Então o uso das mídias [sociais] é bastante relevante e comum entre vocês.

Eduardo:
Sim. O Leo (guitarrista) eu conheci pelo orkut, e na banda também tem o Josafá (baterista), que conheci pelo twitter. A banda foi realmente montada através das mídias sociais. Antes do coletivo echo, tínhamos o Gênese, que funcionou na minha casa durante um ano e era um encontro de comunhão e crescimento cristão; e chamávamos o pessoal pelo twitter. E o Coletivo Echo hoje é formado por 5 bandas - 2 do RJ - Nós (Eduardo Mano e Banda) e a Interlúdio; em São Paulo temos Gilmore Lucassen, que é mais folk, da vineyard, com músicas cristãs e não cristãs (nós não temos uma visão de só tocar músicas cristãs, o que importa é que o artista seja cristão, porque de uma forma isto influencia no que ele canta), uma do Espírito Santo - Alforria e uma de Manaus, a EdOndo que é a quinta banda e já está com link pra baixar [no site do coletivo]. Todos com twitter e facebook, então é muito fácil, 5 bandas, todos usando o twitter para divulgar um ao outro, ampliando nossa voz e nosso alcance.

E quanto a parte de compartilhamento, qual a visão que vocês tem quanto a isto?

Eduardo
: Nós, como banda, temos 3 trabalhos gravados, todos disponíveis na internet gratuitamente. E eu entendi que a melhor forma de nos divulgarmos é disponibilizar o conteúdo, não somente vender. A gente sempre tem pra vender, mas enfatizamos que se a pessoa quiser baixar de graça, está disponível, e o interessante é que todos do coletivo tem esta mentalidade. O Gilmore é o unico do coletivo que não lançou um álbum, mas tem disponibilizado músicas no myspace e no facebook, e todas as demais bandas tem um cd gratuito para baixar. Este foi um ponto em comum nosso, e é uma coisa que achamos interessante. É claro que a música custa dinheiro, não sai de graça, mas infelizmente (ou felizmente) hoje é muito fácil achar aquilo que quer na internet. E a mesma banda que recusa disponibilizar, mais cedo ou mais tarde verá seu disco disponível para baixar. Aconteceu com o Palavrantiga por exemplo: o disco ficou disponível assim que foi lançado, eu mesmo baixei, falei com eles, comprei o disco depois. Então mesmo que a banda não queira, as pessoas vão baixar.

E isto ajuda muito o artista!

Eduardo: Certamente ajuda, mas eu penso assim - se é algo que acabará acontecendo, porque não posso começar com ele? Mesmo que me custe dinheiro, a gente acaba distribuindo o material, e o retorno é quando a gente vai tocar em algum lugar. Nós não cobramos cachê, recebemos ofertas que as igrejas ou os eventos dão. Claro que cada banda funciona de modo diferente, mas ninguém da banda vive de música, o Leo é fotógrafo, o josafá e eu somos designers, o josué, tecladista, também é designer...

E os integrantes das demais bandas do coletivo, são como vocês?

Eduardo: Todos do coletivo trabalham e tem a banda em paralelo, mas todos gostariam que fosse o meio de vida, porque é mais divertido... Pra mim, eu tenho um senso muito grande de ministério. De todas as bandas do coletivo a nossa é a que é mais explicitamente cristã. E eu não me importo com isto, há espaço pra todos. O VPC mesmo na década de 70/80 tocava suas músicas, seus louvores em locais seculares. O que importa para as pessoas é a forma e o jeito que você trabalha aquilo. Elas hoje conseguem muito ver o coração na arte das pessoas. E mesmo as pessoas não cristãs se identificam ou pela ideologia, pela pessoa ser "do bem", "ele quer a paz" ou pelo fato do artista distribuir gratuitamente seu conteúdo.

E como vocês vêem este meio gospel atualmente?

Sidney: Eu vivi os dois extremos - no mainstream cristão, e do lado underground. Sou membro da Vineyard, e pelo seu nome ser relacionado diretamente ao grupo da igreja, que é mainstream, tomamos a decisão de não gravar nenhum disco para vender. Temos nossas músicas próprias, e nunca pensamos em vender ou fazer marketing. E quanto ao mainstream cristão, há gravadoras, que querem que você venda o disco, e em cima disto, do marketing que se faz, lançar nas igrejas, e através destas igrejas ganhar o recurso.
E por exemplo, existem duas bandas, uma simples que toca por amor à causa, cobrando apenas despesas de viagem, e esta divide o palco com outra grande, que cobra 15 mil reais, que não fala com ninguém, só toca o tempo que foi pago e vai embora. O mercado pede isto, e é complicado a galera que cresce no meio disto e tem a mentalidade de ser como o artista, lucrando com a música.

E isto já passou mais de vinte anos, já é uma geração nova que está presenciando isto:

Sidney: Sim, eu peguei a década de noventa, e é engraçado ver certas bandas hoje, e lembrar de como elas começaram. Bandas que começaram neste propósito, simples, e hoje eles estão vivendo como uma banda mainstream forte. Meu medo é quando eles falam que "vem em nome de Jesus". E se não pagar o cache? E se só pagar metade?

Houve uma época que tinha a preocupação de ser separado e diferente do meio secular, e hoje o meio gospel virou uma xerox:

Sidney: Tinhamos o VPC e hoje o grupo não significa nada pra este pessoal. Eles querem viver o que o mercado pede, copiar as bandas do momento.

Então eles estão se moldando na lógica do capital, do mercado.

Sidney:
É, que eu preciso vender, a gravadora exige que eu venda, e os caras vão vender!

E o lance da imagem conta muito né? Assim como músicos de rock sempre conseguiram holofotes criando uma fama de mau, assim como os músicos gospel de hoje criam uma imagem toda a fim de vender.

Sidney:
Muito engraçado, porque você vê bandas que começaram tocando o que gostam, e em trabalhos posteriores tocam o que a gravadora indica como tendência, e que venda mais. As composições dos artistas ficam sujeitas à gravadora.

E toda a questão ideológica dá lugar a venda?

Sidney:
Exatamente! Elas entram no mercado cristão porque eles sabem que vende.

E ainda as letras tem o risco de passar por um crivo de pessoas não cristãs.

Sidney: Muito. Você é produto, a ideologia não existe. Ja vi uma gravadora cujo dono era pastor que separava por completo negócios e fé. E você via coisas ridículas acontecendo enquanto ele ministrava na igreja. É surreal o que acontece. Tanto que você vê cantoras que montam gravadoras sozinhas, se livrando assim destas gravadoras. Este meio cristão, meio gospel, viver neste meio é muito estranho.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

O boom da música cristã contemporânea no Brasil (a.k.a. música gospel)

Nos últimos anos quem é de fora de ambientes eclesiásticos está presenciando uma invasão como nunca antes vista nos meios ditos seculares.

Músicas como "Faz um milagre em mim" de Regis Danese alcançando o topo em várias rádios, tendo inúmeras versões cantadas por artistas consagrados no meio secular, se consolidando como um dos sucessos de 2010. Instrumentistas como Juninho Afram são endorsados por conhecidas marcas de guitarra. Grupos como Diante do Trono (da Igreja Batista da Lagoinha) com espaço especial no horário da tarde dos programas dominicais da Tv Globo.

Certamente isto já é um reflexo de uma mudança no contexto religioso brasileiro na última década, que presenciou um crescimento expressivo dos evangélicos, mais precisamente os neopentecostais. Com mensagens e propostas que alcançaram as necessidades de várias classes sociais, estas vertentes tiveram um grande crescimento nos últimos anos, fazendo assim, com que crie este reflexo também dentro do mercado, que nota demanda de produtos que façam identificação com o nicho evangélico, e a música é o principal referencial. Levando-se em conta que muitas denominações evangélicas estimulam (e em alguns casos, determinam) o fiel a escutar apenas músicas que façam menção direta à sua crença, cria-se um espaço no mercado em que várias gravadoras que não tinham ligação com nenhuma igreja passam a ver como um potencial a ser explorado.

Enfim, depois de fazer umas pesquisas sobre cenas underground na rede, resolvi explorar este lado também, que a meu ver vive um momento interessante. É um assunto desafiador. Principalmente para mim, que desde pequeno viu este meio se desenvolver e chegar onde chegou, devido ao fato de sempre ter tido alguma relação com denominações religiosas. Para quem não sabe, sou cristão, protestante, de tradição batista, e fazer uma análise desta situação sem tocar profundamente na parte teológica (que é algo também que gera bastante assunto) é um desafio que está tornando algo bem interessante.

Este post foi mais pra inaugurar uma série, que já já começará com uma entrevista :)

terça-feira, 5 de abril de 2011

De Eduardo Mano: Fleet Foxes e como as coisas são


Bom, segue abaixo um texto muito bom do Eduardo Mano.

Eduardo Mano é um dos caras que tão compreendendo legal todo esse lance da música em meios digitais. (E um dos poucos músicos cristãos que conseguem transmitir suas convicções e suas crenças de maneira inteligente e coerente). Sua música dá pra ser ouvida aqui, e não me prolongarei mais porque já seria outro assunto. Enfim, vamos ao texto (que também pode ser lido aqui) !



Ainda estou em Manaus. Anyway…

Enquanto estava na viagem missionária, em um dos momentos em que tivemos sinal de celular, consegui ler alguns tweets, e vi o seguinte:

“It has leaked” (vazou o disco)

e logo depois,

“I’m glad it leaked, but kinda bummed because I wanted the winner of the Japan auction to hear it first. Seems less valuable now. Hrm.” (Estou feliz que o disco tenha vazado, mas estou um pouco chateado pois queria que o vencedor do leilão feito no Japão fosse o primeiro a ouvir o disco. Parece ser menos valioso agora. Hrm.)

Os Fleet Foxes, banda que detém, hoje, 1º, 2º e 3º lugares na minha lista de predileções musicais, é do selo Sub Pop. Não conhece? Nunca ouviu falar? Pois saiba que a Sub Pop foi / é um dos selos mais importantes da história (sim, história) da música, simplesmente por ter lançado, nos anos 90, discos de bandas como Nirvana, Soundgarden, The Jesus and Mary Chain, L7, dentre muitas outras.

E o que há de tão fantástico nisso tudo?

Essa é minha leitura, então não julgue que essa é TODA a verdade, mas aí vai: creio que há uma mudança de paradigma acontecendo, no tocante à relação bandas / gravadoras / propriedade intelectual / vendas, etc… e acho (veja bem, ACHO) que há uma necessidade de ambas as partes se reajustarem às coisas. Não sei se o vazamento do disco dos Fleet Foxes foi jogada de marketing (até porque o link de torrent ainda está ativo), fato é que o disco está aí para quem quiser baixar, e o dono do material intelectual, o compositor da coisa toda, GOSTOU de ver que o disco tinha vazado e que as pessoas estavam gostando disso.

Eu sinceramente não creio que a distribuição gratuita de seu material via online signifique automaticamente que você vá vender menos CDs. A qualidade do design, a criatividade na embalagem ainda vendem – e vendem bem. Basta lembrarmos que vários (e por vários eu realmente quero dizer MUITOS) fãs da banda Nine Inch Nails, do Trent Reznor (cara esse que ganhou o Oscar de melhor trilha sonora pelo áudio de A Rede Social) financiaram a gravação do últimos disco da banda, em troca de bônus inacreditáveis. Gente que pagou mais de trezentos dólares para ter um material tão exclusivo, mas tão exclusivo, que não está mais disponível para venda, e não haverá reimpressão do mesmo. Hoje, os Nine Inch Nails são uma banda independente, sem apoio de uma gravadora, que disponibiliza parte de sua discografia gratuitamente em seu site e que se mantém através da ajuda dos fãs. Claro que eles já eram uma banda famosa antes disso, mas o que importa é que há algo mudando na relação bandas / gravadoras / fãs, e todos podem e beneficiar disso.

Claro que muito disso não se aplica, por exemplo, a mim. Não tenho o número de apreciadores (me incomoda a palavra fã) que muitas outras bandas têm, e financeiramente o retorno é só o bastante para continuar fazendo mais CDs, mas ainda assim a cada dia o boca-a-boca e a ajuda dos amigos têm trazido aquilo que mais deveria importar para um novo artista: gente interessada em ouvir o som.

Gostaria de ver mais bandas atentas a estas mudanças… e ministérios também. Principalmente estes, que deveriam se preocupar muito mais com a expansão do Evangelho e do reino do que com o enriquecimento, que nem sei se é tão lícito assim.

Fico aqui na minha digressão. Foi um prazer.

Um abraço,

Eduardo Mano

PS: É CLARO que baixei o CD dos Fleet Foxes. E caso o encontre por um preço justo, e não os 70 reais cobrados em algumas lojas do Rio, compro o CD no ato.

sábado, 19 de março de 2011

Orphaned Land - O Exército do Metal

Foto da banda (fonte - Metal Army)

Não é novidade para ninguém que o Oriente Médio há um bom tempo é uma verdadeira bomba – disputas de território, disputas de crenças, e disputas étnicas acontecendo a todo momento entre árabes e judeus.

Diferenças religiosas, étnicas, políticas. Diferenças que criam abismos gigantescos entre os dois povos. Agora imagine alguém superar (ou chegar muito próximo disto) estas diferenças e conseguir se aproximar de um diálogo, através da música?

Pois bem, em Israel há uma banda – Orphaned Land - que une o metal a ritmos do oriente médio, o que foi chamado por alguns como “Oriental Metal”. Através de discos conceituais, eles enfocam sempre em temas como coexistência e paz entre diferentes crenças.

Pois bem, e a música, com todas estas peculiaridades, ultrapassou as barreiras locais e chegou até o meio árabe, conquistando muitos fãs, que assim criaram um fenômeno – árabes fãs de uma banda israelense. Mas mesmo assim, devido à origem da banda, e por detalhes particulares de cada local, vários países do meio árabe não permitem a venda do disco dos israelenses.

Logo, eles tiveram uma idéia – disponibilizar o último álbum (The Never Ending Way Of OrwarriOR) para download onde a venda do álbum estiver proibida. Eles fizeram isto através desta página (http://www.metalarmyinternational.com/), onde também encontra-se um comunicado muito bonito acerca da situação (tradução abaixo, se tiver qualquer erro, me avise, please rs).

Fãs Libaneses e Israelenses juntos - (fonte - Orphaned Disciples)

Que a música, aliada às redes, sempre possa proporcionar um diálogo sadio entre lados outrora rivais.


Por anos aprendi a odiar muçulmanos e me contavam o quanto eles me odiavam e odiavam minha nação. Eu estava certo que israelenses e árabes, judeus e muçulmanos jamais poderiam viver em paz. Mas então algo aconteceu, um pequeno movimento surgiu da música que me ensinou mais que qualquer professor, guru, rabino ou sheik poderia ensinar, que é a música da minha banda: Orphaned Land.

Eu sei que um torcedor do Barcelona nunca torcerá para o Real Madrid. Então como muçulmanos acompanhariam a minha banda israelense? A resposta é simples; o poder da música que une pessoas. Música tem o poder de derrubar muros. Até os piores inimigos podem encontrar uma música que ambos gostem, e logo ali, no momento em que eles acham algo em comum, abrem uma porta para diálogo, onde nós entendemos que todos somos um, que todos somos pessoas com mesmas esperanças e medos.

Nós consideramos vocês, fãs muçulmanos, os fãs mais corajosos o mundo. Vocês que são verdadeiramente 'underground'. Sabemos o quão difícil ser um headbanger no oriente médio. Gostaríamos que vocês soubessem que nós, como pioneiros do metal do oriente médio, estamos fazendo o melhor que podemos para ser sua voz também. Estamos fazendo sem entrar em política, que nos dividiu por eras. Eu já sei que música pode unir pessoas desde que eu vi quantos fãs temos no meio muçulmano,mesmo com o fato de sermos israelenses.

Eu sei que todas as guerras e outras coisas sem sentido que colocaram nas nossas cabeças não são nada além de mentiras. Eu sei disto porque conseguimos revelar, e nós não somos políticos, nós somos somente uma banda de heavy metal. Políticos irão somente nos tornar como nossos líderes, que falham sempre. Enquanto vocês e nós, os 'pequenos' conseguirmos, teremos nosso diálogo.

Nossa música é banida em seus países. Não podemos ir nos apresentar a vocês. Porém isto nunca quebrará a união da música e amizade que existe entre nós. Eu vejo vocês, nossos fãs, como um milagre. Vocês nos dão inspiração para continuar o quão longe e forte pudermos.

Por isso, encontramos uma maneira de fazer nosso último álbum disponível em seus países – GRATUITAMENTE! - esperamos que vocês curtam e espalhem.

Nossas bandeiras podem ter diferentes símbolos e cores, mas no fundo dos nossos corações brilha a mesma bandeira – a bandeira da paz, amizade e fraternidade – Não esqueça jamais disto. É a nossa tarefa como “Disciples of the sacred oath” (Discípulos do juramento sagrado)

Com amor, paix, Salam & Shalom,

Kobi Farhi, em nome de todos os membros da Orphaned Land.



Para quem não conhece o som da banda, abaixo o clip de Sapari - música do último disco:



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma mensagem importante da indústria do entretenimento

Algo que me lembrei agora - esta imagem que joguei no twitter tempos atrás. Ela explica melhor o assunto que muito texto por aí. =)




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Três princípios para a indústria musical nos tempos da web

Gerd Leonhard, autor de "The Future of Music" e "Music 2.0", gravou um podcast curto, mas interessante sobre princípios para a indústria adotar dentro destas mudanças que a internet proporcionou. É bem bacana, principalmente para quem não conhece os seus textos.

Bem, os três princípios descritos por ele são: Freemium, Following e Flat Rate.

O primeiro consiste em prover algo que não é de alto custo para o artista, mas de grande valor para o fã, atraindo assim a audiência e cativando mais ouvintes.

O segundo é exatamente o inverso da maneira tradicional de divulgação. Esquecer aquele spam maroto jogando informação a todo momento e toda hora, e sim permitir que o público te acompanhe através de várias ferramentas - Twitter e Facebook estão aí pra essas coisas.

Já o terceiro, flat rate, seria uma tarifa fixa para acesso em dispositivos móveis, o que viabilizaria para muitos usuários acesso real a toda parte. Mas esta é a mais complexa, afinal não depende só de nós, né? (:

Para ouvir e ler sobre o assunto, o link (em inglês) é este aqui .

E perdão caso haja qualquer equívoco de tradução/interpretação.

A meu ver, o terceiro item, apesar de não depender de nós, é algo que já está se tornando realidade aos poucos, porém ainda existirá (pelo menos por aqui) a questão da qualidade de conexão, que se nas conexões banda larga já é sofrível para muitos, imagine em telefonia móvel...

O Freemium é importante, mas de nada adiantará se não for muito bem executado e planejado.

Agora, o segundo creio ser muito forte. Interagir, trocar idéias com o público, compartilhar coisas novas, e de uma forma não invasiva trarão frutos bem legais. Só não dar uma de Xuxa por aí, né? =P

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Depois de um BOM TEMPO...

Trabalho, monografia, artigos e outras trocentas coisas que também foram me dando um relaxo violento.

Estas coisas todas foram fatores que causaram minha ausência do blog por uns bons meses. Perdão mesmo.

Mas nesse meio tempo rolaram algumas pesquisas, simpósios, coisa e tal (e finalmente o término da minha pós!)... E com isso, o artigo que apresentei no IV Simpósio ABCiber - O compartilhar do gosto – Difusão e compartilhamento de preferências musicais e ações das cenas nas redes sociais na internet.

Resumo

A internet, com suas diversas ferramentas, mudou o modo de nós ouvirmos e dividimos nossas preferências musicais, graças à amplitude de informações que são compartilhadas e a sua estrutura, que dá um grande acesso à informação para todos.

Através de várias ferramentas de redes sociais, artistas vão divulgando seus trabalhos, e ouvintes vão compartilhando o que ouvem, por meio de softwares p2p e plataformas voltadas pra música. Isto tira aos poucos a importância que gravadoras tem para o artista, e além de criar novas possibilidades para artistas e ouvintes, fortalece a música como um elemento para criar laços e definir identidades do indivíduo.

Este trabalho, portanto, visa analisar porque e como estas preferências musicais são compartilhadas na internet e nas suas ferramentas.


Bem, o link para o artigo está aqui, e a página com os demais trabalhos do simpósio aqui.