sábado, 19 de março de 2011

Orphaned Land - O Exército do Metal

Foto da banda (fonte - Metal Army)

Não é novidade para ninguém que o Oriente Médio há um bom tempo é uma verdadeira bomba – disputas de território, disputas de crenças, e disputas étnicas acontecendo a todo momento entre árabes e judeus.

Diferenças religiosas, étnicas, políticas. Diferenças que criam abismos gigantescos entre os dois povos. Agora imagine alguém superar (ou chegar muito próximo disto) estas diferenças e conseguir se aproximar de um diálogo, através da música?

Pois bem, em Israel há uma banda – Orphaned Land - que une o metal a ritmos do oriente médio, o que foi chamado por alguns como “Oriental Metal”. Através de discos conceituais, eles enfocam sempre em temas como coexistência e paz entre diferentes crenças.

Pois bem, e a música, com todas estas peculiaridades, ultrapassou as barreiras locais e chegou até o meio árabe, conquistando muitos fãs, que assim criaram um fenômeno – árabes fãs de uma banda israelense. Mas mesmo assim, devido à origem da banda, e por detalhes particulares de cada local, vários países do meio árabe não permitem a venda do disco dos israelenses.

Logo, eles tiveram uma idéia – disponibilizar o último álbum (The Never Ending Way Of OrwarriOR) para download onde a venda do álbum estiver proibida. Eles fizeram isto através desta página (http://www.metalarmyinternational.com/), onde também encontra-se um comunicado muito bonito acerca da situação (tradução abaixo, se tiver qualquer erro, me avise, please rs).

Fãs Libaneses e Israelenses juntos - (fonte - Orphaned Disciples)

Que a música, aliada às redes, sempre possa proporcionar um diálogo sadio entre lados outrora rivais.


Por anos aprendi a odiar muçulmanos e me contavam o quanto eles me odiavam e odiavam minha nação. Eu estava certo que israelenses e árabes, judeus e muçulmanos jamais poderiam viver em paz. Mas então algo aconteceu, um pequeno movimento surgiu da música que me ensinou mais que qualquer professor, guru, rabino ou sheik poderia ensinar, que é a música da minha banda: Orphaned Land.

Eu sei que um torcedor do Barcelona nunca torcerá para o Real Madrid. Então como muçulmanos acompanhariam a minha banda israelense? A resposta é simples; o poder da música que une pessoas. Música tem o poder de derrubar muros. Até os piores inimigos podem encontrar uma música que ambos gostem, e logo ali, no momento em que eles acham algo em comum, abrem uma porta para diálogo, onde nós entendemos que todos somos um, que todos somos pessoas com mesmas esperanças e medos.

Nós consideramos vocês, fãs muçulmanos, os fãs mais corajosos o mundo. Vocês que são verdadeiramente 'underground'. Sabemos o quão difícil ser um headbanger no oriente médio. Gostaríamos que vocês soubessem que nós, como pioneiros do metal do oriente médio, estamos fazendo o melhor que podemos para ser sua voz também. Estamos fazendo sem entrar em política, que nos dividiu por eras. Eu já sei que música pode unir pessoas desde que eu vi quantos fãs temos no meio muçulmano,mesmo com o fato de sermos israelenses.

Eu sei que todas as guerras e outras coisas sem sentido que colocaram nas nossas cabeças não são nada além de mentiras. Eu sei disto porque conseguimos revelar, e nós não somos políticos, nós somos somente uma banda de heavy metal. Políticos irão somente nos tornar como nossos líderes, que falham sempre. Enquanto vocês e nós, os 'pequenos' conseguirmos, teremos nosso diálogo.

Nossa música é banida em seus países. Não podemos ir nos apresentar a vocês. Porém isto nunca quebrará a união da música e amizade que existe entre nós. Eu vejo vocês, nossos fãs, como um milagre. Vocês nos dão inspiração para continuar o quão longe e forte pudermos.

Por isso, encontramos uma maneira de fazer nosso último álbum disponível em seus países – GRATUITAMENTE! - esperamos que vocês curtam e espalhem.

Nossas bandeiras podem ter diferentes símbolos e cores, mas no fundo dos nossos corações brilha a mesma bandeira – a bandeira da paz, amizade e fraternidade – Não esqueça jamais disto. É a nossa tarefa como “Disciples of the sacred oath” (Discípulos do juramento sagrado)

Com amor, paix, Salam & Shalom,

Kobi Farhi, em nome de todos os membros da Orphaned Land.



Para quem não conhece o som da banda, abaixo o clip de Sapari - música do último disco:



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma mensagem importante da indústria do entretenimento

Algo que me lembrei agora - esta imagem que joguei no twitter tempos atrás. Ela explica melhor o assunto que muito texto por aí. =)




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Três princípios para a indústria musical nos tempos da web

Gerd Leonhard, autor de "The Future of Music" e "Music 2.0", gravou um podcast curto, mas interessante sobre princípios para a indústria adotar dentro destas mudanças que a internet proporcionou. É bem bacana, principalmente para quem não conhece os seus textos.

Bem, os três princípios descritos por ele são: Freemium, Following e Flat Rate.

O primeiro consiste em prover algo que não é de alto custo para o artista, mas de grande valor para o fã, atraindo assim a audiência e cativando mais ouvintes.

O segundo é exatamente o inverso da maneira tradicional de divulgação. Esquecer aquele spam maroto jogando informação a todo momento e toda hora, e sim permitir que o público te acompanhe através de várias ferramentas - Twitter e Facebook estão aí pra essas coisas.

Já o terceiro, flat rate, seria uma tarifa fixa para acesso em dispositivos móveis, o que viabilizaria para muitos usuários acesso real a toda parte. Mas esta é a mais complexa, afinal não depende só de nós, né? (:

Para ouvir e ler sobre o assunto, o link (em inglês) é este aqui .

E perdão caso haja qualquer equívoco de tradução/interpretação.

A meu ver, o terceiro item, apesar de não depender de nós, é algo que já está se tornando realidade aos poucos, porém ainda existirá (pelo menos por aqui) a questão da qualidade de conexão, que se nas conexões banda larga já é sofrível para muitos, imagine em telefonia móvel...

O Freemium é importante, mas de nada adiantará se não for muito bem executado e planejado.

Agora, o segundo creio ser muito forte. Interagir, trocar idéias com o público, compartilhar coisas novas, e de uma forma não invasiva trarão frutos bem legais. Só não dar uma de Xuxa por aí, né? =P

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Depois de um BOM TEMPO...

Trabalho, monografia, artigos e outras trocentas coisas que também foram me dando um relaxo violento.

Estas coisas todas foram fatores que causaram minha ausência do blog por uns bons meses. Perdão mesmo.

Mas nesse meio tempo rolaram algumas pesquisas, simpósios, coisa e tal (e finalmente o término da minha pós!)... E com isso, o artigo que apresentei no IV Simpósio ABCiber - O compartilhar do gosto – Difusão e compartilhamento de preferências musicais e ações das cenas nas redes sociais na internet.

Resumo

A internet, com suas diversas ferramentas, mudou o modo de nós ouvirmos e dividimos nossas preferências musicais, graças à amplitude de informações que são compartilhadas e a sua estrutura, que dá um grande acesso à informação para todos.

Através de várias ferramentas de redes sociais, artistas vão divulgando seus trabalhos, e ouvintes vão compartilhando o que ouvem, por meio de softwares p2p e plataformas voltadas pra música. Isto tira aos poucos a importância que gravadoras tem para o artista, e além de criar novas possibilidades para artistas e ouvintes, fortalece a música como um elemento para criar laços e definir identidades do indivíduo.

Este trabalho, portanto, visa analisar porque e como estas preferências musicais são compartilhadas na internet e nas suas ferramentas.


Bem, o link para o artigo está aqui, e a página com os demais trabalhos do simpósio aqui.

domingo, 9 de maio de 2010

Blip.fm - Que blipaiada é essa, camarada? (Parte II)


No post anterior, eu fiz uma curta descrição de parte do funcionamento do blip.fm:

"...sua quase infinidade de conteúdo sendo selecionado através de uma customização do próprio ouvinte, de forma que uma estação de rádio nestas plataformas não se define por posicionamento, e sim por filtragem através de classificações."
Além do tagTuner, e dos DJ's que vão sendo seguidos conforme a preferência do usuário, também existe outra forma de 'filtrar' esta lista gigante que o blip.fm gera: playlists.



Para os usuários do twitter, algo que aproximaria aos playlists, seria a lista de favoritos. Assim como no twitter é possível marcar um post de um usuário que possa interessar, no blip.fm é possível marcar um blip que possa interessar mais tarde, ou alguma música que seja a favorita do usuário, e assim vai (como o próprio nome diz, adicionar uma música a uma lista de reprodução).

E esta não é a única forma de demonstrar satisfação com a música que está sendo reproduzida. Também é possível mostrar ao DJ que gostou da música enviando props.

Como foi descrito (e próprio ícone indica) a função Give Props é para aprovar a música ao DJ que enviou o blip, dando uma pontuação para o mesmo. Com isto, vai existindo toda uma questão de classificação do DJ - a credibilidade dele mede-se não somente pelo número de ouvintes, como também pelo número de aprovações que recebem dos mesmos. Cada aprovação recebida, o DJ também ganha crédito para poder aprovar outros DJ's. Ou seja, existe uma certa quantidade de número de aprovações, que varia conforme ele também vai recebendo estes props.

Além de mostrar aprovação dando estes créditos, é possível também um DJ retransmitir uma música de outro DJ. É o tal do reblip.

Esta função é bem semelhante ao Retweet do twitter. Ao clicar no botão do reblip, ele já deixa tudo pronto para fazer o envio, só faltando o DJ escrever o que tiver de ser escrito.

sábado, 10 de abril de 2010

Pesquisa!

Bom, como boa parte já sabe (afinal, isto é o motivo do surgimento deste blog) , eu estou fazendo uma pesquisa acadêmica que envolve música e redes sociais, e a interação do usuário nestas redes. Para obter mais informações, estou fazendo umas perguntas para usuários (e ex-usuários) de last.fm e blip.fm. Se você tem uma conta, ou já teve, por favor, responda e repasse pra quem também possa responder! O link é este aí embaixo:


https://spreadsheets.google.com/viewform?formkey=dGlTV2xXaXhaVXM5QXM5NEhIemxXNkE6MA


Valeu!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Blip.fm - Que blipaiada é essa, camarada? (Parte I)




Bom, já falei aqui em post, artigos, coisa e tal sobre o blip.fm, mas nem todos devem saber que raios é esse blip aí, portanto... vou tentar fazer algo que explique mais ou menos o que é enfim, esta bagaça:

O Blip.fm é um serviço de microblog (bem parecido com o twitter, aliás, o pessoal que usa twitter vai notar certas coisas em comum) , com um diferencial: você busca pela música que deseja, coloca uma breve descrição e pronto! Está lá o seu post, com texto e música! Funciona de forma bem semelhante a uma rádio.

Um aspecto onde ele é bem parecido com o twitter, é na maneira que os blips são organizados. Vai sendo exibido blip a blip dos usuários (DJs) que você segue, formando assim uma lista com uma ordenação que só você (ou outra pessoa que segue exatamente os mesmos usuários) possui.

Mas, além de acompanhar somente o pessoal que você adicionou, é possível também acompanhar todos os blips. enquanto a música vai rolando, os blips vão sendo atualizados a todo momento. Para organizar esta farofa que sem dúvida será formada, é possível 'sintonizar' através do tagTuner. Assim como no twitter é possível filtrar os tweets através dos Trending Topics, é possível no blip.fm filtrar os blips por estilo musical, nome do artista, música ou qualquer outra coisa que possa rotular um artista ou música:



Este sistema de filtragem é algo que achei bem interessante, e reflete bem o que várias outras plataformas também tem como característica, como seu processamento remoto, sua convergência e mistura com demais plataformas de conteúdo e redes sociais, sua quase infinidade de conteúdo sendo selecionado através de uma customização do próprio ouvinte, de forma que uma estação de rádio nestas plataformas não se define por posicionamento, e sim por filtragem através de classificações.