sexta-feira, 13 de maio de 2011

O boom da música cristã contemporânea no Brasil (a.k.a. música gospel)

Nos últimos anos quem é de fora de ambientes eclesiásticos está presenciando uma invasão como nunca antes vista nos meios ditos seculares.

Músicas como "Faz um milagre em mim" de Regis Danese alcançando o topo em várias rádios, tendo inúmeras versões cantadas por artistas consagrados no meio secular, se consolidando como um dos sucessos de 2010. Instrumentistas como Juninho Afram são endorsados por conhecidas marcas de guitarra. Grupos como Diante do Trono (da Igreja Batista da Lagoinha) com espaço especial no horário da tarde dos programas dominicais da Tv Globo.

Certamente isto já é um reflexo de uma mudança no contexto religioso brasileiro na última década, que presenciou um crescimento expressivo dos evangélicos, mais precisamente os neopentecostais. Com mensagens e propostas que alcançaram as necessidades de várias classes sociais, estas vertentes tiveram um grande crescimento nos últimos anos, fazendo assim, com que crie este reflexo também dentro do mercado, que nota demanda de produtos que façam identificação com o nicho evangélico, e a música é o principal referencial. Levando-se em conta que muitas denominações evangélicas estimulam (e em alguns casos, determinam) o fiel a escutar apenas músicas que façam menção direta à sua crença, cria-se um espaço no mercado em que várias gravadoras que não tinham ligação com nenhuma igreja passam a ver como um potencial a ser explorado.

Enfim, depois de fazer umas pesquisas sobre cenas underground na rede, resolvi explorar este lado também, que a meu ver vive um momento interessante. É um assunto desafiador. Principalmente para mim, que desde pequeno viu este meio se desenvolver e chegar onde chegou, devido ao fato de sempre ter tido alguma relação com denominações religiosas. Para quem não sabe, sou cristão, protestante, de tradição batista, e fazer uma análise desta situação sem tocar profundamente na parte teológica (que é algo também que gera bastante assunto) é um desafio que está tornando algo bem interessante.

Este post foi mais pra inaugurar uma série, que já já começará com uma entrevista :)

terça-feira, 5 de abril de 2011

De Eduardo Mano: Fleet Foxes e como as coisas são


Bom, segue abaixo um texto muito bom do Eduardo Mano.

Eduardo Mano é um dos caras que tão compreendendo legal todo esse lance da música em meios digitais. (E um dos poucos músicos cristãos que conseguem transmitir suas convicções e suas crenças de maneira inteligente e coerente). Sua música dá pra ser ouvida aqui, e não me prolongarei mais porque já seria outro assunto. Enfim, vamos ao texto (que também pode ser lido aqui) !



Ainda estou em Manaus. Anyway…

Enquanto estava na viagem missionária, em um dos momentos em que tivemos sinal de celular, consegui ler alguns tweets, e vi o seguinte:

“It has leaked” (vazou o disco)

e logo depois,

“I’m glad it leaked, but kinda bummed because I wanted the winner of the Japan auction to hear it first. Seems less valuable now. Hrm.” (Estou feliz que o disco tenha vazado, mas estou um pouco chateado pois queria que o vencedor do leilão feito no Japão fosse o primeiro a ouvir o disco. Parece ser menos valioso agora. Hrm.)

Os Fleet Foxes, banda que detém, hoje, 1º, 2º e 3º lugares na minha lista de predileções musicais, é do selo Sub Pop. Não conhece? Nunca ouviu falar? Pois saiba que a Sub Pop foi / é um dos selos mais importantes da história (sim, história) da música, simplesmente por ter lançado, nos anos 90, discos de bandas como Nirvana, Soundgarden, The Jesus and Mary Chain, L7, dentre muitas outras.

E o que há de tão fantástico nisso tudo?

Essa é minha leitura, então não julgue que essa é TODA a verdade, mas aí vai: creio que há uma mudança de paradigma acontecendo, no tocante à relação bandas / gravadoras / propriedade intelectual / vendas, etc… e acho (veja bem, ACHO) que há uma necessidade de ambas as partes se reajustarem às coisas. Não sei se o vazamento do disco dos Fleet Foxes foi jogada de marketing (até porque o link de torrent ainda está ativo), fato é que o disco está aí para quem quiser baixar, e o dono do material intelectual, o compositor da coisa toda, GOSTOU de ver que o disco tinha vazado e que as pessoas estavam gostando disso.

Eu sinceramente não creio que a distribuição gratuita de seu material via online signifique automaticamente que você vá vender menos CDs. A qualidade do design, a criatividade na embalagem ainda vendem – e vendem bem. Basta lembrarmos que vários (e por vários eu realmente quero dizer MUITOS) fãs da banda Nine Inch Nails, do Trent Reznor (cara esse que ganhou o Oscar de melhor trilha sonora pelo áudio de A Rede Social) financiaram a gravação do últimos disco da banda, em troca de bônus inacreditáveis. Gente que pagou mais de trezentos dólares para ter um material tão exclusivo, mas tão exclusivo, que não está mais disponível para venda, e não haverá reimpressão do mesmo. Hoje, os Nine Inch Nails são uma banda independente, sem apoio de uma gravadora, que disponibiliza parte de sua discografia gratuitamente em seu site e que se mantém através da ajuda dos fãs. Claro que eles já eram uma banda famosa antes disso, mas o que importa é que há algo mudando na relação bandas / gravadoras / fãs, e todos podem e beneficiar disso.

Claro que muito disso não se aplica, por exemplo, a mim. Não tenho o número de apreciadores (me incomoda a palavra fã) que muitas outras bandas têm, e financeiramente o retorno é só o bastante para continuar fazendo mais CDs, mas ainda assim a cada dia o boca-a-boca e a ajuda dos amigos têm trazido aquilo que mais deveria importar para um novo artista: gente interessada em ouvir o som.

Gostaria de ver mais bandas atentas a estas mudanças… e ministérios também. Principalmente estes, que deveriam se preocupar muito mais com a expansão do Evangelho e do reino do que com o enriquecimento, que nem sei se é tão lícito assim.

Fico aqui na minha digressão. Foi um prazer.

Um abraço,

Eduardo Mano

PS: É CLARO que baixei o CD dos Fleet Foxes. E caso o encontre por um preço justo, e não os 70 reais cobrados em algumas lojas do Rio, compro o CD no ato.

sábado, 19 de março de 2011

Orphaned Land - O Exército do Metal

Foto da banda (fonte - Metal Army)

Não é novidade para ninguém que o Oriente Médio há um bom tempo é uma verdadeira bomba – disputas de território, disputas de crenças, e disputas étnicas acontecendo a todo momento entre árabes e judeus.

Diferenças religiosas, étnicas, políticas. Diferenças que criam abismos gigantescos entre os dois povos. Agora imagine alguém superar (ou chegar muito próximo disto) estas diferenças e conseguir se aproximar de um diálogo, através da música?

Pois bem, em Israel há uma banda – Orphaned Land - que une o metal a ritmos do oriente médio, o que foi chamado por alguns como “Oriental Metal”. Através de discos conceituais, eles enfocam sempre em temas como coexistência e paz entre diferentes crenças.

Pois bem, e a música, com todas estas peculiaridades, ultrapassou as barreiras locais e chegou até o meio árabe, conquistando muitos fãs, que assim criaram um fenômeno – árabes fãs de uma banda israelense. Mas mesmo assim, devido à origem da banda, e por detalhes particulares de cada local, vários países do meio árabe não permitem a venda do disco dos israelenses.

Logo, eles tiveram uma idéia – disponibilizar o último álbum (The Never Ending Way Of OrwarriOR) para download onde a venda do álbum estiver proibida. Eles fizeram isto através desta página (http://www.metalarmyinternational.com/), onde também encontra-se um comunicado muito bonito acerca da situação (tradução abaixo, se tiver qualquer erro, me avise, please rs).

Fãs Libaneses e Israelenses juntos - (fonte - Orphaned Disciples)

Que a música, aliada às redes, sempre possa proporcionar um diálogo sadio entre lados outrora rivais.


Por anos aprendi a odiar muçulmanos e me contavam o quanto eles me odiavam e odiavam minha nação. Eu estava certo que israelenses e árabes, judeus e muçulmanos jamais poderiam viver em paz. Mas então algo aconteceu, um pequeno movimento surgiu da música que me ensinou mais que qualquer professor, guru, rabino ou sheik poderia ensinar, que é a música da minha banda: Orphaned Land.

Eu sei que um torcedor do Barcelona nunca torcerá para o Real Madrid. Então como muçulmanos acompanhariam a minha banda israelense? A resposta é simples; o poder da música que une pessoas. Música tem o poder de derrubar muros. Até os piores inimigos podem encontrar uma música que ambos gostem, e logo ali, no momento em que eles acham algo em comum, abrem uma porta para diálogo, onde nós entendemos que todos somos um, que todos somos pessoas com mesmas esperanças e medos.

Nós consideramos vocês, fãs muçulmanos, os fãs mais corajosos o mundo. Vocês que são verdadeiramente 'underground'. Sabemos o quão difícil ser um headbanger no oriente médio. Gostaríamos que vocês soubessem que nós, como pioneiros do metal do oriente médio, estamos fazendo o melhor que podemos para ser sua voz também. Estamos fazendo sem entrar em política, que nos dividiu por eras. Eu já sei que música pode unir pessoas desde que eu vi quantos fãs temos no meio muçulmano,mesmo com o fato de sermos israelenses.

Eu sei que todas as guerras e outras coisas sem sentido que colocaram nas nossas cabeças não são nada além de mentiras. Eu sei disto porque conseguimos revelar, e nós não somos políticos, nós somos somente uma banda de heavy metal. Políticos irão somente nos tornar como nossos líderes, que falham sempre. Enquanto vocês e nós, os 'pequenos' conseguirmos, teremos nosso diálogo.

Nossa música é banida em seus países. Não podemos ir nos apresentar a vocês. Porém isto nunca quebrará a união da música e amizade que existe entre nós. Eu vejo vocês, nossos fãs, como um milagre. Vocês nos dão inspiração para continuar o quão longe e forte pudermos.

Por isso, encontramos uma maneira de fazer nosso último álbum disponível em seus países – GRATUITAMENTE! - esperamos que vocês curtam e espalhem.

Nossas bandeiras podem ter diferentes símbolos e cores, mas no fundo dos nossos corações brilha a mesma bandeira – a bandeira da paz, amizade e fraternidade – Não esqueça jamais disto. É a nossa tarefa como “Disciples of the sacred oath” (Discípulos do juramento sagrado)

Com amor, paix, Salam & Shalom,

Kobi Farhi, em nome de todos os membros da Orphaned Land.



Para quem não conhece o som da banda, abaixo o clip de Sapari - música do último disco:



sábado, 19 de fevereiro de 2011

Uma mensagem importante da indústria do entretenimento

Algo que me lembrei agora - esta imagem que joguei no twitter tempos atrás. Ela explica melhor o assunto que muito texto por aí. =)




quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Três princípios para a indústria musical nos tempos da web

Gerd Leonhard, autor de "The Future of Music" e "Music 2.0", gravou um podcast curto, mas interessante sobre princípios para a indústria adotar dentro destas mudanças que a internet proporcionou. É bem bacana, principalmente para quem não conhece os seus textos.

Bem, os três princípios descritos por ele são: Freemium, Following e Flat Rate.

O primeiro consiste em prover algo que não é de alto custo para o artista, mas de grande valor para o fã, atraindo assim a audiência e cativando mais ouvintes.

O segundo é exatamente o inverso da maneira tradicional de divulgação. Esquecer aquele spam maroto jogando informação a todo momento e toda hora, e sim permitir que o público te acompanhe através de várias ferramentas - Twitter e Facebook estão aí pra essas coisas.

Já o terceiro, flat rate, seria uma tarifa fixa para acesso em dispositivos móveis, o que viabilizaria para muitos usuários acesso real a toda parte. Mas esta é a mais complexa, afinal não depende só de nós, né? (:

Para ouvir e ler sobre o assunto, o link (em inglês) é este aqui .

E perdão caso haja qualquer equívoco de tradução/interpretação.

A meu ver, o terceiro item, apesar de não depender de nós, é algo que já está se tornando realidade aos poucos, porém ainda existirá (pelo menos por aqui) a questão da qualidade de conexão, que se nas conexões banda larga já é sofrível para muitos, imagine em telefonia móvel...

O Freemium é importante, mas de nada adiantará se não for muito bem executado e planejado.

Agora, o segundo creio ser muito forte. Interagir, trocar idéias com o público, compartilhar coisas novas, e de uma forma não invasiva trarão frutos bem legais. Só não dar uma de Xuxa por aí, né? =P

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Depois de um BOM TEMPO...

Trabalho, monografia, artigos e outras trocentas coisas que também foram me dando um relaxo violento.

Estas coisas todas foram fatores que causaram minha ausência do blog por uns bons meses. Perdão mesmo.

Mas nesse meio tempo rolaram algumas pesquisas, simpósios, coisa e tal (e finalmente o término da minha pós!)... E com isso, o artigo que apresentei no IV Simpósio ABCiber - O compartilhar do gosto – Difusão e compartilhamento de preferências musicais e ações das cenas nas redes sociais na internet.

Resumo

A internet, com suas diversas ferramentas, mudou o modo de nós ouvirmos e dividimos nossas preferências musicais, graças à amplitude de informações que são compartilhadas e a sua estrutura, que dá um grande acesso à informação para todos.

Através de várias ferramentas de redes sociais, artistas vão divulgando seus trabalhos, e ouvintes vão compartilhando o que ouvem, por meio de softwares p2p e plataformas voltadas pra música. Isto tira aos poucos a importância que gravadoras tem para o artista, e além de criar novas possibilidades para artistas e ouvintes, fortalece a música como um elemento para criar laços e definir identidades do indivíduo.

Este trabalho, portanto, visa analisar porque e como estas preferências musicais são compartilhadas na internet e nas suas ferramentas.


Bem, o link para o artigo está aqui, e a página com os demais trabalhos do simpósio aqui.

domingo, 9 de maio de 2010

Blip.fm - Que blipaiada é essa, camarada? (Parte II)


No post anterior, eu fiz uma curta descrição de parte do funcionamento do blip.fm:

"...sua quase infinidade de conteúdo sendo selecionado através de uma customização do próprio ouvinte, de forma que uma estação de rádio nestas plataformas não se define por posicionamento, e sim por filtragem através de classificações."
Além do tagTuner, e dos DJ's que vão sendo seguidos conforme a preferência do usuário, também existe outra forma de 'filtrar' esta lista gigante que o blip.fm gera: playlists.



Para os usuários do twitter, algo que aproximaria aos playlists, seria a lista de favoritos. Assim como no twitter é possível marcar um post de um usuário que possa interessar, no blip.fm é possível marcar um blip que possa interessar mais tarde, ou alguma música que seja a favorita do usuário, e assim vai (como o próprio nome diz, adicionar uma música a uma lista de reprodução).

E esta não é a única forma de demonstrar satisfação com a música que está sendo reproduzida. Também é possível mostrar ao DJ que gostou da música enviando props.

Como foi descrito (e próprio ícone indica) a função Give Props é para aprovar a música ao DJ que enviou o blip, dando uma pontuação para o mesmo. Com isto, vai existindo toda uma questão de classificação do DJ - a credibilidade dele mede-se não somente pelo número de ouvintes, como também pelo número de aprovações que recebem dos mesmos. Cada aprovação recebida, o DJ também ganha crédito para poder aprovar outros DJ's. Ou seja, existe uma certa quantidade de número de aprovações, que varia conforme ele também vai recebendo estes props.

Além de mostrar aprovação dando estes créditos, é possível também um DJ retransmitir uma música de outro DJ. É o tal do reblip.

Esta função é bem semelhante ao Retweet do twitter. Ao clicar no botão do reblip, ele já deixa tudo pronto para fazer o envio, só faltando o DJ escrever o que tiver de ser escrito.