terça-feira, 5 de abril de 2011

De Eduardo Mano: Fleet Foxes e como as coisas são


Bom, segue abaixo um texto muito bom do Eduardo Mano.

Eduardo Mano é um dos caras que tão compreendendo legal todo esse lance da música em meios digitais. (E um dos poucos músicos cristãos que conseguem transmitir suas convicções e suas crenças de maneira inteligente e coerente). Sua música dá pra ser ouvida aqui, e não me prolongarei mais porque já seria outro assunto. Enfim, vamos ao texto (que também pode ser lido aqui) !



Ainda estou em Manaus. Anyway…

Enquanto estava na viagem missionária, em um dos momentos em que tivemos sinal de celular, consegui ler alguns tweets, e vi o seguinte:

“It has leaked” (vazou o disco)

e logo depois,

“I’m glad it leaked, but kinda bummed because I wanted the winner of the Japan auction to hear it first. Seems less valuable now. Hrm.” (Estou feliz que o disco tenha vazado, mas estou um pouco chateado pois queria que o vencedor do leilão feito no Japão fosse o primeiro a ouvir o disco. Parece ser menos valioso agora. Hrm.)

Os Fleet Foxes, banda que detém, hoje, 1º, 2º e 3º lugares na minha lista de predileções musicais, é do selo Sub Pop. Não conhece? Nunca ouviu falar? Pois saiba que a Sub Pop foi / é um dos selos mais importantes da história (sim, história) da música, simplesmente por ter lançado, nos anos 90, discos de bandas como Nirvana, Soundgarden, The Jesus and Mary Chain, L7, dentre muitas outras.

E o que há de tão fantástico nisso tudo?

Essa é minha leitura, então não julgue que essa é TODA a verdade, mas aí vai: creio que há uma mudança de paradigma acontecendo, no tocante à relação bandas / gravadoras / propriedade intelectual / vendas, etc… e acho (veja bem, ACHO) que há uma necessidade de ambas as partes se reajustarem às coisas. Não sei se o vazamento do disco dos Fleet Foxes foi jogada de marketing (até porque o link de torrent ainda está ativo), fato é que o disco está aí para quem quiser baixar, e o dono do material intelectual, o compositor da coisa toda, GOSTOU de ver que o disco tinha vazado e que as pessoas estavam gostando disso.

Eu sinceramente não creio que a distribuição gratuita de seu material via online signifique automaticamente que você vá vender menos CDs. A qualidade do design, a criatividade na embalagem ainda vendem – e vendem bem. Basta lembrarmos que vários (e por vários eu realmente quero dizer MUITOS) fãs da banda Nine Inch Nails, do Trent Reznor (cara esse que ganhou o Oscar de melhor trilha sonora pelo áudio de A Rede Social) financiaram a gravação do últimos disco da banda, em troca de bônus inacreditáveis. Gente que pagou mais de trezentos dólares para ter um material tão exclusivo, mas tão exclusivo, que não está mais disponível para venda, e não haverá reimpressão do mesmo. Hoje, os Nine Inch Nails são uma banda independente, sem apoio de uma gravadora, que disponibiliza parte de sua discografia gratuitamente em seu site e que se mantém através da ajuda dos fãs. Claro que eles já eram uma banda famosa antes disso, mas o que importa é que há algo mudando na relação bandas / gravadoras / fãs, e todos podem e beneficiar disso.

Claro que muito disso não se aplica, por exemplo, a mim. Não tenho o número de apreciadores (me incomoda a palavra fã) que muitas outras bandas têm, e financeiramente o retorno é só o bastante para continuar fazendo mais CDs, mas ainda assim a cada dia o boca-a-boca e a ajuda dos amigos têm trazido aquilo que mais deveria importar para um novo artista: gente interessada em ouvir o som.

Gostaria de ver mais bandas atentas a estas mudanças… e ministérios também. Principalmente estes, que deveriam se preocupar muito mais com a expansão do Evangelho e do reino do que com o enriquecimento, que nem sei se é tão lícito assim.

Fico aqui na minha digressão. Foi um prazer.

Um abraço,

Eduardo Mano

PS: É CLARO que baixei o CD dos Fleet Foxes. E caso o encontre por um preço justo, e não os 70 reais cobrados em algumas lojas do Rio, compro o CD no ato.